70 anos de Romi-Isetta: a audácia paulista que inaugurou a fabricação em série de automóveis no Brasil
Há exatas sete décadas, as ruas do interior de São Paulo testemunhavam o nascimento do marco inicial da indústria automobilística brasileira. Em Santa Bárbara d’Oeste, as Indústrias Romi apresentavam ao público o Romi-Isetta, o primeiro veículo de passeio produzido em série em solo nacional.
Com seu desenho singular em formato de gota de água e a inconfundível porta frontal articulada junto com a coluna de direção, o pequenino veículo desafiou o padrão dos grandes sedãs norte-americanos importados que dominavam o tráfego da época.
Conceito europeu, alma brasileira
O projeto original foi idealizado pela italiana ISO e licenciado no Brasil pela família Romi. O motor inicial era um modesto dois tempos de dois cilindros e 236 cm³, movido a mistura de gasolina e óleo, capaz de fazer o microcarro rodar até 25 quilômetros com um único litro de combustível.
Posteriormente, o modelo passou a adotar propulsores quatro tempos fornecidos pela BMW, garantindo maior suavidade de funcionamento e velocidade máxima na casa dos 85 km/h.
Visão antecipada sobre os centros urbanos
Embora tenha enfrentado resistência comercial na época devido ao seu tamanho reduzido e à ausência de porta lateral tradicional, o Romi-Isetta antecipou em décadas os conceitos modernos de mobilidade urbana consciente:
- Facilidade de estacionamento: permitia estacionar de frente para o meio-fio, saindo diretamente na calçada pela porta frontal.
- Baixo consumo: custo por quilômetro rodado imbatível em tempos de escassez de divisas.
- Uso racional de espaço: dimensões ideais para o transporte diário de até dois adultos.
O legado vivo de um clássico
Cerca de 3.000 unidades foram fabricadas entre 1956 e 1961. Hoje, os exemplares sobreviventes são disputados por colecionadores do mundo inteiro como joias históricas do design industrial.
Ao completar 70 anos de seu lançamento, o Romi-Isetta permanece como um tributo à capacidade técnica da engenharia nacional e uma prova de que ideias arrojadas são capazes de atravessar gerações inspirando o futuro da mobilidade.