Imagine um cenário em que as montanhas e vales do interior de Minas Gerais estivessem completamente submersos por um oceano quente e raso. Embora pareça ficção científica, essa é a realidade comprovada pela ciência geológica no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, uma unidade de conservação extraordinária localizada no norte mineiro.
O Mar Neoproterozoico e a Formação Calcária
Há aproximadamente 600 milhões de anos, durante a era Neoproterozoica, a região que hoje abrange o vale do Rio Peruaçu fazia parte do leito de um vasto mar raso. Ao longo de eras geológicas, acúmulos massivos de organismos marinhos ricamente dotados de carbonato de cálcio depositaram-se no fundo desse oceano.
Com os movimentos das placas tectônicas e a subsequente regressão marinha, esses sedimentos marinhos foram compactados sob pressões elevadas, dando origem às colossais formações de rocha calcária do Grupo Bambuí que caracterizan a paisagem atual da região.
Sítio Arqueológico e Espeleológico de Valor Mundial
Além da relevância geológica indiscutível, o Peruaçu abriga a Gruta do Janelão, famosa por seus espeleotemas gigantescos e salões imensos que chegam a superar 100 metros de altura. O trabalho de erosão do Rio Peruaçu cavou os cânions e abriu dolinas monumentais onde a vegetação de transição entre a Caatinga e o Cerrado prospera.
O parque também preserva paredões rochosos ornamentados com pinturas rupestres milenares, deixadas por grupos humanos pré-históricos que habitavam essas cavernas milhares de anos atrás, consolidando o local como um patrimônio natural e cultural inestimável do Brasil.
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Viaje no tempo e conheça os segredos das Cavernas do Peruaçu no vídeo produzido pelo canal Isso é Real: